governo – Antonio Gelfusa Junior https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1 Mon, 23 Aug 2021 17:49:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1/wp-content/uploads/2021/06/gelfusa-junior_favicon-100x100.png governo – Antonio Gelfusa Junior https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1 32 32 Nossa 3ª Guerra https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1/nossa-3a-guerra/ Tue, 14 Apr 2020 15:41:32 +0000 https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1/?p=1307 Em meados de 1945, depois de 4 anos na Índia e 2 anos na Inglaterra como prisioneiro de guerra, meu avô paterno voltou para sua casa, na região de Lazio, Itália.

Irreconhecível, sujo, muitos quilos a menos, surpreendeu minha avó, que pensava que se tratava de algum morador de rua.

Na 2ª Guerra Mundial, homens e mulheres (na maioria homens), precisavam se alistar, combater e participar, sem concordar ou aderir.

Tinha que ir e pronto!

Nos campos de concentração, meu avô e outros prisioneiros viviam em condições precárias.

Insetos e outros pequenos animais eram complemento ou o cardápio de suas refeições.

Ouvi por muito tempo meus familiares contarem isso.

Eu não o conheci pessoalmente, morreu antes de meus pais se casarem.

Retorno hoje para 2020, período em que vivemos uma guerra sem armas, que nos exige um alistamento e comportamento diferente daquilo que rolava no passado.

Não é possível viver de novo o que aconteceu em nossa história, mas podemos refletir.

Não há arma ainda capaz de combater o vírus e por fim nesta quarentena.

A solução criada para evitar sua proliferação é o isolamento social.

Essa nossa 3ª Guerra atinge todas as pessoas, não nações específicas, nem classes sociais.

Não há arma, investimento militar ou dinheiro possível que possa deter o avanço.

Hoje, o inimigo é pequeno, invisível, microscópico.

No passado, quantas pessoas se apresentavam para o combate no “front” e não voltavam mais para seus lares?

Na guerra atual temos uma chance de evitar mais mortes: fazer nossa parte, ficar em casa e enfrentar, com isolamento, a propagação da covid-19.

O enfrentamento do momento é conhecer nossa mente, nossos pensamentos, nossos limites, nossos vilões emocionais, nossas relações com as pessoas e com o mundo.

Ficar em casa também é uma oportunidade única de conhecer melhor seus pares e a si mesmo.

Aproveite este tempo também para arrumar suas coisas (emocionais e físicas), conserte, trabalhe, discuta, desculpe, perdoe, chore, ligue, abrace virtualmente, mas acima de tudo, ame!

Crianças não verem seus avós, e adultos não verem seus pais e amigos, trata-se de um ato de amor.

Por amor as pessoas não precisam deixar suas casas (como se fazia nas guerras do passado), e sim, ficar nelas.

Se no passado, para preservar os avós, crianças e mulheres, os alistados e alistadas tinham que odiar e matar (ou morrer por) um semelhante de uma outra nação, hoje, para resguardar nossos pais e idosos, precisamos, “simplesmente”, nos isolar.

Tempos difíceis virão, mas nem se comparam a dor das complexas travessias emocionais que as guerras do passado promoveram.

Ter paciência e combater a ansiedade são, por enquanto, munições básicas para o momento.

Vamos em frente, até porque tempos difíceis fazem mulheres e homens fortes.

E mulheres e homens fortes farão tempos mais fáceis.

 

Antonio Gelfusa Junior é publicitário e editor-chefe das publicações impressas e online do Grupo Raiz.

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A culpa é nossa! https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1/a-culpa-e-nossa/ Mon, 02 Mar 2020 17:28:18 +0000 https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1/?p=1249 Nós negligenciamos o descarte de lixo na cidade.

Do morador mais humilde ao mais abastado.

O lixo muitas vezes não é reciclado. Alguns até jogados em rios e bueiros.

Apenas 7% do total da cidade é reciclado.

Ocupamos as encostas de morros por falta de políticas inteligentes de moradia e conscientização. Naturalmente por falta de condições e conhecimento também.

Mas também ocupamos as moradias elitizadas em prol do avanço e evolução da vida material. Para qualquer item quebrado ou sem serventia, jogamos tudo fora, seja eletrônico ou entulho, não importa o bagulho!

Poucas vezes procuramos os locais adequados para descarte de itens inservíveis.

Essa atitude pouco reflexiva, não tem classe social, ela é sistêmica.

Reclamamos do PT do Haddad que não entregou as obras contra enchentes – prometidas na gestão anterior. Um fato.

Mas elegemos o Doria do PSDB (que abandonou a prefeitura), e temos uma gestão que não gasta 41% do investimento para obras contra enchentes e também negligencia o assunto.

E continuamos votando nos mesmos.

Por outro lado, chove o total de um mês esperado em poucas hora na cidade.

Mas que cidade e estrutura comportaria, né?

Enfim, o meio ambiente nos alerta faz tempo: à necessidade de reciclagem e reutilização, à necessidade de mais plantação de árvores, à diminuição de poluentes, etc.

Faz tempo que a natureza pede mais empatia.

Mas nós deixamos o debate para depois.

Sempre para depois.

Temos coisas “mais importantes” para resolver.

Até o dia que tudo parar e aí precisaremos refletir.

Ou até um dia que não teremos mais nada.

 

Antonio Gelfusa Junior é publicitário e editor-chefe das publicações impressas e online do Grupo Raiz.

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Cerveja, cigarro, propaganda ou governo. Quem é o vilão? https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1/cerveja-cigarro-propaganda-ou-governo-quem-e-o-vilao/ Wed, 10 Apr 2019 23:21:33 +0000 https://dev.pergolapropaganda.com.br/gelfusajunior1/?p=1170 Confira abaixo o editorial “Cerveja, cigarro, propaganda ou governo. Quem é o vilão?”

O senador Styvenson Valentim (Pode-RN) é relator do projeto sobre proibição da propaganda das bebidas alcoólicas.  A base do projeto foi o PLC 83/2015 que trouxe a proibição expressa da propaganda de álcool na mídia de massa.

Na proposta há outra iniciativa — a divulgação comercial desses produtos apenas por meio de pôsteres, painéis ou cartazes, dentro dos espaços de merchandising e pontos de venda.

O PLC 83/2015 levou, para essa mesma emenda, as restrições que deverão ajustar a propaganda de bebidas alcoólicas.

Além de não incentivar o consumo “abusivo” — caracterização acrescida pelo relator, essa divulgação não poderá associar o produto, mesmo que indiretamente, à prática desportiva, à condução de veículos, à sexualidade e ao sucesso; sem dirigir ou incluir crianças ou adolescentes; nem anunciar propriedades medicinais, relaxantes ou estimulantes.

Se aprovado, necessitará de 120 dias para ser colocado em prática.

Importante lembrar que o cigarro também teve sua propaganda proibida e regulada em meios de massa. Isso aconteceu em dezembro de 2000, com uma lei do sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Sem dúvidas trata-se de um assunto polêmico.

Até porque o produto cigarro é nocivo à saúde.

Todos os indicadores apontam gravidade e riscos dos mais diversos para as pessoas que estão dependentes deste produto. São mais de 4 mil substâncias químicas.

O cigarro mata cerca de 7 milhões de pessoas por ano no mundo segundo a Organização Mundial da Saúde. 900 mil pessoas morrem por inalar estes gases tóxicos.

Com 20 milhões de fumantes no Brasil, foi percebida uma queda de 36% de consumo do cigarro na última década e muito se deve a nova regulação.

No que tange à propaganda, na época, tínhamos um mercado pujante em exploração. Outdoor, patrocínios de carros de fórmula 1, televisão, rádio e tantos outros meios com marcas de cigarros das mais diversas.

Já em relação ao uso abusivo de álcool, o mesmo mata cerca de 3,5 milhões de pessoas por ano segundo a OMS.

Globalmente, estima-se que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres sofram de problemas relacionados ao consumo de álcool com a maior prevalência na Europa (14,8% e 3,5%, respectivamente) e na Região das Américas (11,5% e 5,1%, respectivamente).

Problemas estes ligados à violência do trânsito, agressões, brigas e acidentes dos mais diversos.

Toda redução é positiva, mas também é curiosa.

O governo entra na jogada, permite a venda do produto, contanto que o produto tenha descrições em seus rótulos como a dependência, apresentação obrigatória dos possíveis cânceres a serem causados, impotência e outros malefícios.

O contraponto é que está em nossa Constituição Federal, claramente, quando se aborda sobre os produtos nocivos à saúde, que os mesmos não podem ser comercializados.

Têm-se um problema tão grave que envolve saúde pública, porque então não discutimos parar de vender um produto que causa tanto mal à sociedade?

Talvez a resposta esteja exatamente no fato de que a indústria de cigarros e do álcool ainda recolhem um importante montante de impostos para a máquina pública.

Regular a publicidade se necessário não é problema algum.

O problema está na hipocrisia do governo que, se pudesse, o regularíamos.

 

Antonio Gelfusa Junior é publicitário e editor-chefe das publicações impressas e online do Grupo Raiz.

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